Entrevistas com ilustradores


Paralelamente às entrevistas com autores nas quais estamos buscando reler e repensar obras editadas pela editora a mais de quatro anos, desenvolvemos uma série de perguntas  também para os ilustradores. Trata-se de uma entrevista padrão, isto é, com perguntas iguais para todos os entrevistados, cujo objetivo é possibilitarmos uma mostra de diferentes visões sobre o trabalho da ilustração sob a ótica dos artistas plásticos.


A primeira entrevistada foi Adriana Mendonça. Abaixo você poderá conhecer um pouco mais sobre a artista plástica e designer que ilustrou Iluminando Histórias; O Piolho; Saia dessa, Mano Pira! e criou o livro de imagens Entre Mundos.

Entrevista com Adriana Mendonça

RHJ- Para aquecer, gostariamos de propor um pequeno jogo: que você se apresenta falando três palavras que gosta, três trabalhos em artes plásticas que são referências em sua vida, sua(s) cor(es) e técnica(s) de trabalho preferida(s).
Palavras: Diversidade; Interatividade; Mundo.
Artes Plásticas: El Jardín de las Delicias (1500 – 1505);  El Cabrón (1820 – 1823) pintura de Francisco Goya; tríptico de Hieronymus Bosch; The Longest Journey (1994), escultura de Ana Maria Pacheco. 
Cores e técnicas: Gosto de todas as cores, quanto às técnicas, gosto de poder misturá-las, não tenho nenhuma definida. No momento tenho me encantado por pinturas digitais.
 
RHJ- Você poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória como ilustradora e sobre seus métodos de trabalho?


Terminei a faculdade de Artes Visuais, com habilitação em Pintura, na Universidade Federal de Goiás em 1992, logo depois voltei para fazer uma habilitação em Design Gráfico.
No ano em que voltei, fui aluna da ilustradora e autora de livros infantis Ciça Fittipaldi, professora que me mostrou os encantos da literatura infantil, suas técnicas e possibilidades. A forma apaixonante que a Ciça mostrou-me um mundo que até então era desconhecido para mim, fez com que eu me encantasse pela ilustração.
Quando estava terminando o curso, fui trabalhar em um jornal impresso, onde ilustrava além de cadernos de cultura, um suplemento infantil semanal. A equipe do suplemento era formada por pedagogas, jornalistas, e também por um fotógrafo, um ilustrador e um diagramador. Nesse período que durou treze anos, diversifiquei muito as técnicas do meu trabalho. Trabalhei com sucatas, modelagem em massinha, aquarelas, dobraduras, pinturas e desenhos digitais, recortes, colagens, etc.
Acabei levando essa experiência para o meu trabalho na literatura infantil, pois além de ter o jornal como um laboratório de pesquisa, tinha acesso ao processo de elaboração do conteúdo jornalístico, que me mostravam o que as crianças pensavam e gostavam. Por isso sempre busquei desenhos e técnicas que se assemelham aos que as crianças fazem e aproximá-las do meu trabalho.
 
RHJ – Como você pensa a relação entre o texto literário e a ilustração?

Penso que a ilustração não deve dizer o que o texto já está dizendo, ela deve ir além, falar da “alma” do texto, do que está fora dele. Tem certos aspectos da ilustração que são indizíveis, contudo podem criar diálogos ou até mesmo narrativas paralelas. Em alguns momentos a ilustração cria poéticas que quebram com o óbvio, deixa para o leitor “sentir” e depois fazer seus próprios links com o texto.
 
RHJ – Qual a importância da ilustração na literatura infantil e juvenil?
A ilustração é literatura infantil. O ato de ler é sensorial, é também o prazer de folhear o livro, de sentir as texturas dos papeis, as dobras, os cortes, o desenho das letras. A ilustração nos proporciona prazer, nos sensibiliza para a leitura, assim como cria novas leituras, novas possibilidades para o texto. 

 capa e ilustrações do livro Iluminando Histórias
texto de Cleidna Landivar














ilustrações para o livro "O Piolho"
texto de Bartolomeu Campos de Queirós

livro "Entre Mundos"












Ilustrações para o livro "Saia dessa, Mano Pira!"
texto de Yêda Marquez