Para continuar com nossas entrevistas com autores que publicam livros pela RHJ, entrevistamos o autor de Passarolindo, Mario Vale.
Abaixo você encontrará todas as entrevistas realizadas até agora. São elas:
1ª Entrevista: Fábio Amaro fala sobre sua obra Uma história de Arrepiar
2ª Entrevista: Marcelo R. L. de Oliveira fala sobre seu primeiro livro publicado, Salada de Frutas.
3ª Entrevista: Sebastião Nuvens fala um pouco sobre literatura e sobre sua obra infantil O Peru que nasceu 30 dias antes do Natal.
4ª Entrevista: Angela-Lago fala um pouco da coleção Folclore de Casa: Casa pequena, Casa Assombrada, Casa de pouca conversa
5ª Entrevista: Ninfa Parreiras fala sobre literatura, psicanálise e brinquedos em Com a Maré e o Sonho
6ª Entrevista: Jorge Fernando dos Santos fala um pouco sobre sua obra O Boi da cara Branca e sua musicalidade.
7ª Entrevista: Adriana Mendonça é a nossa primeira ilustradora entrevistada.
8ª Entrevista: Cleidna Landivar fala um pouco sobre sua trajetória e seu livro Iluminando Histórias.
Abaixo você encontrará todas as entrevistas realizadas até agora. São elas:
1ª Entrevista: Fábio Amaro fala sobre sua obra Uma história de Arrepiar
2ª Entrevista: Marcelo R. L. de Oliveira fala sobre seu primeiro livro publicado, Salada de Frutas.
3ª Entrevista: Sebastião Nuvens fala um pouco sobre literatura e sobre sua obra infantil O Peru que nasceu 30 dias antes do Natal.
4ª Entrevista: Angela-Lago fala um pouco da coleção Folclore de Casa: Casa pequena, Casa Assombrada, Casa de pouca conversa
5ª Entrevista: Ninfa Parreiras fala sobre literatura, psicanálise e brinquedos em Com a Maré e o Sonho
6ª Entrevista: Jorge Fernando dos Santos fala um pouco sobre sua obra O Boi da cara Branca e sua musicalidade.
7ª Entrevista: Adriana Mendonça é a nossa primeira ilustradora entrevistada.
8ª Entrevista: Cleidna Landivar fala um pouco sobre sua trajetória e seu livro Iluminando Histórias.
Após as perguntas, a você poderá visualizar algumas páginas do livro às quais elas se referem. Boa leitura!
Entrevista Mario Vale
RHJ – Mario Vale, você poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional como escritor e artista plástico?
Nasci em uma família de muitos irmãos e meus pais nos educaram de uma forma bem cooperativa. Nós dividíamos as responsabilidades e as diversões, por isso a solidariedade era importante pra manutenção de todos, principalmente nas horas das refeições.
No mais, a minha casa era um imenso parque de diversões. Tinha marcenaria, laboratório de fotografia, orquidário e alguns bichos, como quati, bicho preguiça, tartaruga, cachorro. Passarinho na gaiola não tinha. Tinha até papagaio. Falando em papagaio, a gente fazia papagaios (pipas) e manivelas e eles voavam bem alto. No lugar que eu morava, a rua era cheia de amigos e nós jogávamos bente altas, finca, pega ladrão e lutávamos espadas.
Ahhh... tinha também na minha casa uma coisa muito importante: uma grande biblioteca. Meu pai e minha mãe liam muito e nós ficávamos lendo, entre outras coisas, As Aventuras de Sherlock Holmes de Conan Doyle, Tesouros da Juventude e um tanto de outros livros. Tinha também uma grande coleção de revistas em quadrinhos e nós líamos tanto que esquecíamos de fazer outras coisas. Uma dia, minha mãe mandou guardar os gibis sobre o teto de casa, pra darmos um tempo de “quadrinhos” e dedicar mais aos estudos da escola. Acontecia que nós nos trancávamos no quarto que dava pro teto e subíamos até a abertura que dava pro telhado, e eu ficava lá um bom tempo lendo “Flecha Ligeira”, “Tom Mix”, “Tarzan”, “Príncipe Valente”, Bolinha (o meu ídolo) e Luluzinha, e ainda as revistas de Walt Disney, o Pateta, Pluto, Mickey, Pato Donald e várias outras.
Então, no meio dessa coisa toda, eu gostava muito de escrever e desenhar as minhas histórias e embora não fosse um bom aluno na escola, eu gostava muito de literatura. O meu pai, percebendo este meu lado artístico, me incentivava bastante, me mostrando um tanto de coisas, como desenhos que se formavam nas paredes, nas pedras das casas, etc.
Um dia, meu pai – que era jornalista – me levou no jornal e abriu espaço para eu publicar meus desenhos.
Quando tive meus filhos e eles eram pequenos, eu ficava contando pra histórias eles dormirem. Quando eu não tinha mais histórias pra contar, eu ficava inventando outras. Algumas eu transformei em livros e foi assim que comecei a minha carreira de escritor.
RHJ – Em Passarolindo,um menino descalço se torna amigo de um passarinho que vive num sapato. Curiosamente, após ajudar o amigo, o menino volta a colocar o sapato no mesmo lugar e este continua a ser o ninho do passarinho. Além de Passarolindo há, na sua obra, outros títulos, como Bzzz Bzzz, que abordam questões ecológicas. Como você pensa a amizade do homem com os outros seres vivos no mudo contemporâneo?
O crescimento populacional gerou um tanto de problemas para os habitantes da Terra. Cada ser humano precisa de uma grande quantidade de água e também de alimentos para sobreviver. Cada habitante gera uma quantidade grande de lixo.
As cidades precisam gerar uma grande produção de bens para o consumo da população. Então novas fábricas são construídas e tem que haver grande produção de alimentos para todos.
Quanto mais gente nasce, mais as cidades têm que aumentar a produção de alimentos, roupas, sapatos, automóveis e máquinas de todos os tipos para atender às necessidades da população.
Então, quanto mais progresso, mais indústrias e consequentemente, mais lixo e mais poluição.
Os homens conseguem dar um jeito de continuar vivendo no meio dessa confusão toda, mas os animais acabam sendo vítimas deste processo “muito louco” de sobrevivência. Por isso, a minha preocupação com os animais do planeta. Assim, passo grande parte do meu tempo tentando ajudar as pessoas a pensarem nos problemas de sobrevivência dos animais a nossa volta: os peixes, os pássaros, gatos e cães, a girafa, o leão, o veado, a vaca, a galinha e o macaco e etc., dependem da nossa ajuda para sobreviver. Temos então que ser amigos deles.
RHJ – Como a literatura pode atuar em relação a esta amizade?
Entrevista Mario Vale
RHJ – Mario Vale, você poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional como escritor e artista plástico?
Nasci em uma família de muitos irmãos e meus pais nos educaram de uma forma bem cooperativa. Nós dividíamos as responsabilidades e as diversões, por isso a solidariedade era importante pra manutenção de todos, principalmente nas horas das refeições.
No mais, a minha casa era um imenso parque de diversões. Tinha marcenaria, laboratório de fotografia, orquidário e alguns bichos, como quati, bicho preguiça, tartaruga, cachorro. Passarinho na gaiola não tinha. Tinha até papagaio. Falando em papagaio, a gente fazia papagaios (pipas) e manivelas e eles voavam bem alto. No lugar que eu morava, a rua era cheia de amigos e nós jogávamos bente altas, finca, pega ladrão e lutávamos espadas.
Ahhh... tinha também na minha casa uma coisa muito importante: uma grande biblioteca. Meu pai e minha mãe liam muito e nós ficávamos lendo, entre outras coisas, As Aventuras de Sherlock Holmes de Conan Doyle, Tesouros da Juventude e um tanto de outros livros. Tinha também uma grande coleção de revistas em quadrinhos e nós líamos tanto que esquecíamos de fazer outras coisas. Uma dia, minha mãe mandou guardar os gibis sobre o teto de casa, pra darmos um tempo de “quadrinhos” e dedicar mais aos estudos da escola. Acontecia que nós nos trancávamos no quarto que dava pro teto e subíamos até a abertura que dava pro telhado, e eu ficava lá um bom tempo lendo “Flecha Ligeira”, “Tom Mix”, “Tarzan”, “Príncipe Valente”, Bolinha (o meu ídolo) e Luluzinha, e ainda as revistas de Walt Disney, o Pateta, Pluto, Mickey, Pato Donald e várias outras.
Então, no meio dessa coisa toda, eu gostava muito de escrever e desenhar as minhas histórias e embora não fosse um bom aluno na escola, eu gostava muito de literatura. O meu pai, percebendo este meu lado artístico, me incentivava bastante, me mostrando um tanto de coisas, como desenhos que se formavam nas paredes, nas pedras das casas, etc.
Um dia, meu pai – que era jornalista – me levou no jornal e abriu espaço para eu publicar meus desenhos.
Quando tive meus filhos e eles eram pequenos, eu ficava contando pra histórias eles dormirem. Quando eu não tinha mais histórias pra contar, eu ficava inventando outras. Algumas eu transformei em livros e foi assim que comecei a minha carreira de escritor.
RHJ – Em Passarolindo,um menino descalço se torna amigo de um passarinho que vive num sapato. Curiosamente, após ajudar o amigo, o menino volta a colocar o sapato no mesmo lugar e este continua a ser o ninho do passarinho. Além de Passarolindo há, na sua obra, outros títulos, como Bzzz Bzzz, que abordam questões ecológicas. Como você pensa a amizade do homem com os outros seres vivos no mudo contemporâneo?
O crescimento populacional gerou um tanto de problemas para os habitantes da Terra. Cada ser humano precisa de uma grande quantidade de água e também de alimentos para sobreviver. Cada habitante gera uma quantidade grande de lixo.
As cidades precisam gerar uma grande produção de bens para o consumo da população. Então novas fábricas são construídas e tem que haver grande produção de alimentos para todos.
Quanto mais gente nasce, mais as cidades têm que aumentar a produção de alimentos, roupas, sapatos, automóveis e máquinas de todos os tipos para atender às necessidades da população.
Então, quanto mais progresso, mais indústrias e consequentemente, mais lixo e mais poluição.
Os homens conseguem dar um jeito de continuar vivendo no meio dessa confusão toda, mas os animais acabam sendo vítimas deste processo “muito louco” de sobrevivência. Por isso, a minha preocupação com os animais do planeta. Assim, passo grande parte do meu tempo tentando ajudar as pessoas a pensarem nos problemas de sobrevivência dos animais a nossa volta: os peixes, os pássaros, gatos e cães, a girafa, o leão, o veado, a vaca, a galinha e o macaco e etc., dependem da nossa ajuda para sobreviver. Temos então que ser amigos deles.
RHJ – Como a literatura pode atuar em relação a esta amizade?
Através da literatura, podemos contar histórias que nos aproximam da realidade do reino animal. Através das histórias, mostramos como são bonitos os bichos e como eles são importantes para nós, como são “inteligentes”, espertos, solidários, amigos e como conseguem sobreviver em harmonia neste mundo de tantas espécies. Finalizando, você sabia que o melhor amigo do homem é o animal?
Entrevista com a
escritora Cleidna Landivar
RHJ – Cleidna Landivar, você poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional como escritora e contadora de Histórias?
O livro Iluminando Histórias já conta um pouco de minhas lembranças de infância. Mas, complemento: Nasci em Minas Gerais (adoro minha origem mineira) numa fazenda próxima à João Pinheiro. Tenho uma infância feliz, guardada na lembrança. Revisito-a em companhia de meus filhos: Esther e Estevan. Gosto muito de conversar com crianças, contar e ouvir histórias. No ano de 1993 integrei-me ao Grupo Gwaya - Contadores de Histórias da UFG e participei de suas atividades por cerca de dez anos . Atualmente sou professora da Universidade Federal de Goiás no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação-CEPAE - UFG. Sou contadora de histórias, autora de textos literários e do livro "Iluminando Histórias" editado pela RHJ. Mestre em Gestão do Patrimônio Cultural, na área de Antropologia, pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, PUC-GO, (2009), interessa-me o estudo de temas como: Patrimônio Cultural Imaterial, Estudos do Imaginário, Memória Social, Oralidade.
Já há algum tempo tenho vivenciado a emoção de inventar histórias mais ou menos sob encomenda para o Almanaque, Suplemento Infantil e Jornal do Campo do Jornal O Popular, jornal que está entre os mais expressivos aqui de Goiânia e região. Os textos são os seguintes:
Anjos não brincam de esconde-esconde no Natal. Publicada 25 de Dezembro de 2005;
Entre retalhos medos e coragens. Publicada 5 de Dezembro de 2007;
Operação Pijama de Férias. Publicada 5 de Julho de 2009;
Uma sombrinha no velório. Publicada em Junho de 2010;
Pra passar o anel. Publicada 5 de setembro de 2010 e muitas outras vagando pelo universo imaginário.
Entre retalhos medos e coragens. Publicada 5 de Dezembro de 2007;
Operação Pijama de Férias. Publicada 5 de Julho de 2009;
Uma sombrinha no velório. Publicada em Junho de 2010;
Pra passar o anel. Publicada 5 de setembro de 2010 e muitas outras vagando pelo universo imaginário.
RHJ – Além de contar história e escrevê-las você também é mestranda da área de patrimônio cultural. Sua pesquisa, relacionada, dentre outras coisas, à memória familiar, tem alguma relação com a obra “Iluminando Histórias”? Conte-nos um pouco sobre isto.
Curiosamente todos os textos literários que venho escrevendo giram em torno das relações sociais entre familiares. Claro que escrito em diálogo com crianças e adolescentes. Conclui o mestrado em Gestão do Patrimônio Cultural, na área de Antropologia, dentro da linha de pesquisa Saberes Tradicionais e pretendo continuar estudando a temáticas ligadas à Memória Social. Considerando que Iluminando Histórias é uma memória familiar de minha infância, reconstituída via memória coletiva, esse livro não só tem relação com minhas intenções de pesquisadora como está na origem de todo o meu interesse crescente pela arte milenar de contar histórias. Na conclusão de meu trabalho reconheço as narrativas de vida como Patrimônio Imaterial de todos nós. E a literatura, arte essencial de sentir e viver o estar no mundo, é também reflexos de nossos piores e melhores ângulos. Por isso a boa literatura é democrática, uma herança que espelha a trajetória de nossa humanidade. No campo do Patrimônio Cultural, no contexto de vida de um povo, há sempre uma tensão entre a memória individual e a coletiva, embora uma esteja profundamente imbricada na outra.
RHJ- No livro “Iluminando histórias” a narradora /personagem parece ser uma criança que aprende a lidar com seu medo de escuro através da presença de sua mãe que lhe conta histórias. Você poderia nos falar um pouco sobre a importância, para a formação das crianças, de se contar histórias?
Quando li o release da editora colocando o medo como um dos temas centrais do livro “Iluminando histórias”, fiquei surpresa, pois o que me moveu para aquela escrita foi a proteção que eu lembrava sentir/ receber de minha mãe nos momentos em que ela me contava histórias. Muita coisa mudou de lá para cá, nesse aspecto da relação entre pais e filhos. Mas, pra minha sorte, sinto a presença de amor e cumplicidade em meus filhos que adoram os vídeos animados da internet e muitas outras facilidades tecnológicas e que com onze e treze anos me pedem pra contar histórias. Compartilhar histórias lidas ou inventadas ainda é um momento muito gostoso entre nós! Acredito que muitas famílias vivenciem isso atualmente mesmo nas grandes cidades. Não acredito nas formas dispersivas matando a comunicação oral. Estamos, nós viventes desse século, sempre reinventado formas de acalentar nossos medos... E a oralidade sempre esteve presente.
Entrevista com o escritor
Jorge Fernando dos SantosRHJ – Jorge Fernando dos Santos, o senhor poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional como escritor, músico e jornalista?
- Tudo começou na infância. Sempre quis ser escritor e compositor. O jornalismo veio por consequência. Ganhei festivais de poesia no colégio e isso me estimulou. Estudei comunicação e já na faculdade fazia shows, escrevia teatro e participava de festivais. No jornalismo, acabei trabalhando por um bom tempo na editoria de cultura do Estado de Minas, como articulista, repórter e editor. Em 1989 ganhei o Prêmio Guimarães Rosa, com o romance Palmeira Seca, adaptado para teatro, minissérie de TV e hoje sendo tese de mestrado na Itália, onde está sendo traduzido. Tenho agora 37 livros publicados.
RHJ – O livro “Boi da cara branca” foi escrito em versos poéticos de rica sonoridade. A leitura em voz alta desta obra permite que quase se escute uma melodia. O senhor poderia nos falar um pouco do aspecto musical para a sua escrita poética?
- Música é uma coisa, poesia é outra. No entanto, nesse caso, confesso que escrevi o livro pensando na estrutura de um musical, talvez uma opereta infantil. No meu trabalho, música, literatura, teatro e jornalismo se misturam de certa forma. Também recebi muita influência do cinema e isso se faz presente em quase tudo o que escrevo.
RHJ- Ainda em relação à musicalidade da poesia, podemos verificar também forte relação deste livro com canções e temas populares. O senhor poderia nos falar um pouco sobre a importância da cultura popular e da canção para a literatura infantil?
- A música está nas pessoas e na própria natureza. A infância é muito ligada nisso. Depois, quando os gostos e desgostos musicais se definem, as pessoas acabam muitas vezes se afastando da própria musicalidade. A fala humana, por exemplo, traz um ritmo próprio. Todo idioma tem uma esteira musical sobre a qual se manifesta. Acho que a vida é pura música, basta ter ouvidos de ouvir. Penso que as crianças percebem isso mais facilmente, pois não têm ainda os preconceitos e obrigações dos adultos. Quando escrevo, eu procuro trilhar esse caminho. Acho que isso talvez explique a musicalidade presente principalmente nos meus livros infanto-juvenis.
ilustrações de Cláudio Martins
Entrevista com a escritora Ninfa Parreiras
RHJ – Ninfa Parreiras, você poderia se apresentar aos leitores deste blog, contando um pouco da sua trajetória profissional como escritora e psicanalista?
Olá pessoal, sou a Ninfa Parreiras, autora de livros para crianças e adolescentes. Também escrevo textos para professores e educadores e gosto de dar aulas e de encontrar com os leitores. Como psicanalista, atendo, no meu consultório, crianças e adultos. É um momento para exercer a escuta, ouvir as questões que cada um me traz (os medos, as dúvidas, as alegrias). Na minha prática, percebo que as profissões que exerço se encontram na palavra: escrita (literatura) e falada (psicanálise). No fundo, no fundo, sou uma pessoa apaixonada pela palavra, pelos relatos (escritos e falados).
RHJ – A menina de “Com a maré e o sonho” é cheia de perguntas e procura respostas pela investigação, por exemplo, do coco. Nem sempre, no entanto, ela alcança as respostas.
Na vida, crianças, jovens e adultos, sempre se depararão com situações como esta apresentada no livro. Como você pensa a importância da literatura neste contexto?
A literatura traz a possibilidade de abrir as questões para os leitores pensarem. Pela literatura, mergulhamos em mundos diferentes do nosso. Ao lermos histórias de outros povos, experimentamos situações diversas das que vivemos; sentimos outras emoções; criamos outros caminhos; inventamos sonhos. E o mais legal é que cada leitor tem um entendimento pessoal e próprio do que leu. A literatura abre caminhos de leitura, de interpretação, de associação com a nossa vida. Por isso, podemos dizer que ela é bastante democrática. Cada um cabe de um jeito pessoal dentro de uma história inventada, de um poema. Ou seja, a literatura permite o exercício da singularidade, do ser cidadão.
RHJ – Em seu mestrado você desenvolveu a pesquisa “Psicanálise do Brinquedo na Literatura para crianças”. Normalmente, quando ouvimos a palavra “brinquedo” associamos a uma série de objetos que tradicionalmente são utilizados pelas crianças em suas brincadeiras. Mas se existem objetos fabricados para serem brinquedos, existem também outros que se tornam brinquedos quando apropriados pelas crianças. Qual a importância de um brinquedo? Poderíamos considerar o coco em “Com a Maré e o Sonho” como um brinquedo?
O brinquedo é, por excelência, o objeto primordial da infância. É o instrumento de comunicação, de diálogo da criança consigo própria e com o mundo. Ao brincar, uma criança interage com um mundo imaginário, de coisas inventadas; ela cria situações, transforma o que quiser em uma bola, um carrinho. Já percebeu como, facilmente, uma criança inventa um brinquedo ou uma brincadeira? Ao fazer essas transformações, ela percebe que os sentimentos, as pessoas, as coisas também podem mudar. O coco, em Com a maré e o sonho, pode ser considerado um brinquedo. A personagem o transforma em bola, globo terrestre, móvel. Ao manusear o coco, ela nota as mudanças que acontecem na casca, no ruído de dentro. O coco passa a habitar o seu quarto, a morar nas suas fantasias. E cada leitor vai tomar esse coco como algo particular.

ilustrações de André Neves
Entrevista com o escritor Sebastião Nunes
RHJ – Sebastião Nunes, você poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional como escritor, editor e artista gráfico?
RESPOSTA - Desde os nove anos gosto de escrever e desenhar. Pintei quadros, fiz charges, escrevi peças e contos... Mas nada deu certo até que optei por escrever poesia, que me ocupou durante uns 20 anos. Depois passei a publicar prosa satírica e, há uns 15 anos, "achei" a literatura infanto-juvenil.
Afinal,tenho cinco filhos e com eles aprendi o lúdico da narrativa infantil. Então, desde essa época, publico livros para adultos e também para crianças. Como não gosto muito de pedir favor, fundei primeiro a Dubolso (1980), editora de literatura adulta, principalmente poesia. Em 2000, com um punhado de autores e ilustradores, fundei a Dubolsinho, que é hoje minha principal atividade.
Mas os primeiros livros fora publicados pela RHJ (três ao todo), aprovados por Angela- Lago e pelo Rafael. Angela já era minha amiga de muitos anos, e Rafael se tornou amigo a partir daí. Aliás, ele me ajudou muito com dicas e ideias quando do lançamento da Dubolsinho.
RHJ – “Uma história infantil com desenvolvimento juvenil e moral senil, destinada a mal-educar pessoas de todas as idades”. Esta apresentação, presente na capa de “O peru que nasceu 30 dias antes do natal” parece um bom exemplo de oposição a certo modo de pensar a literatura infantil segundo o qual os livros têm sempre funções específicas como “educar”. Você poderia nos falar um pouco sobre sua posição em relação à literatura infantil?
RESPOSTA - Acho que existe muita coisa ruim, ao lado de muita coisa boa, tanto na literatura pra crianças e jovens como para adultos. E não gosto de fazer da literatura uma "arma" de ensinar coisas. A função da literatura – talvez única - é ajudar no desenvolvimento da criatividade, na ampliação do conhecimento do mundo de forma original, de modo que seu principal objetivo é tornar mais clara a inteligência e mais aguçados os meios de compreensão da realidade e do mundo mágico da fantasia, da criatividade linguística e da poesia. Educar nesse caso, seria ajudar a aprimorar os dons intelectuais das crianças, torná-las mais criativas e mentalmente mais saudáveis, mais alegres e criativas.
RHJ – Em “O peru que nasceu 30 dias antes do Natal” há um narrador que nos deixa a par do que se passa com o personagem, um belo e jovem peru, tanto em relação a suas ações quanto a suas sensações e sentimentos. No final desta história irônica, lemos: “agradecimentos especiais aos alegres coadjuvantes desta alegre história (é claro que pelos padrões humanos)”. A voz do narrador e a constatação dos “padrões humanos” na história de um peru nos permite perguntar: você acha que a literatura é capaz de ir além do humano?
RESPOSTA - A literatura é capaz de tudo, porque a criatividade não tem limite.
Podemos ir - e muitos autores vão - bem fundo na "alma" dos bichos e das coisas, até das pedras. A fantasia permite tudo, como, no caso de minha história, pensar com a cabeça do jovem peru e imaginar o que ele sentiria se pudesse pensar como nós. E nem se trata de discutir crueldade com os animais, pois acho que temos tanta coisa pra discutir (principalmente a violência entre os humanos, limites da educação, formas novas de conhecimento) que não me envolveria em polêmicas desse tipo. Foi apenas uma forma engraçada que achei de mostrar a infelicidade dos perus, pobres coadjuvantes em nossas pouco cristãs festas natalinas.
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Entrevista com a escritora Angela-Lago
RHJ – Angela-Lago, você poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional nos serviços sociais e como se tornou escritora e artista plástica?
AL – A trajetória foi simples. Era um desejo que começou aos sete anos, ou antes, e que pouco a pouco me guiou em sua direção.
RHJ – Estes três livros, “Casa de Pouca Conversa”, “Casa Pequena” e “Casa Assombrada”, criados em 1993, possuem, ainda hoje, um formato pouco comum para livros (o formato pequenino de 10 x 10 cm). Uma criança lá em Papagaios disse que são “livros pequenos por fora e grandes por dentro”. Você poderia nos contar como foi criar estes livros e porque eles são “pequenos por fora”?
AL – Esses três livros foram projetados para caberem dentro de uma caixinha e não, para serem vendidos separadamente. Ganharam prêmios assim. Mas a editora, apesar dos meus protestos, considerou difícil manter o projeto inicial, cuja produção não era simples, e, por isso, hoje vende os livros separadamente. A caixa foi desenhada como uma casa, pois a coleção se chama Folclore de Casa. Ela cabe no bolso da camisa, sobre o coração.
RHJ – Já ouvi dizer que “Casa de Pouca Conversa”, “Casa Pequena” e “Casa Assombrada” foram os primeiros livros lidos por uma criança que nunca mais parou de ler, de tanto que gostou. Curiosamente, são três livros que partem de histórias orais. Como você pensa este trabalho de reescrita de textos orais, especialmente no aspecto da transformação do suporte dos textos?
AL – Fico muito feliz de saber isso. Tenho o projeto de transformar esses livros em animações interativas para a internet, com esse intuito. Tomara que esses contos ajudem muitas crianças nesse aprendizado e que as levem a querer ler mais e mais.
Ah… A rescrita dos contos: eu havia trocado meu computador por um colorido e seguia encantada com as novas possibilidades de diagramação. Por isso as letras fazem trajetos, atravessam os desenhos, conversam com eles.
Há alguma coisa de coloquial também no desenho, que funciona, talvez, como os gestos do contador de casos. O texto ondula como a ondulação da voz.









Entrevista com o escritor Marcelo R. L. de Oliveira
RHJ – Marcelo Ribeiro Leite de Oliveira, você poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional como químico e escritor?
Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de participar dessa iniciativa da editora RHJ. É muito importante o estabelecimento novos canais de divulgação da cultura para que as pessoas tenham maior possibilidade de acesso à informação e ao lazer.
Nasci em Ituiutaba, Minas Gerais. Sou professor de química na Universidade Federal de Viçosa, mas iniciei minha carreira na Universidade Federal de Ouro Preto, no penúltimo dia de 1989. Como o meu primeiro livro foi publicado em 1990, minhas duas atividades profissionais começaram praticamente ao mesmo tempo a até hoje correm paralelas. De lá para cá ministrei aulas, pesquisei novas substâncias, envolvi-me em projetos de divulgação científica, dei palestras e publiquei sete livros de literatura: Salada de frutas, Catapora e Certos Nomes (RHJ), A reunião dos planetas e Nós e os bichos (Cia das Letras), O sumiço da elefanta e o Roubo da estátua de Ganesh (FTD). Atualmente estou muito concentrado em divulgação científica e literatura. Meu próximo projeto é escrever e publicar uma série de crônicas inspiradas nos elementos químicos, fazendo a união da literatura com a química.
RHJ – “Saladas de frutas” completa vinte anos de sua primeira edição em 2010 e foi seu primeiro livro publicado. Gostaríamos que o senhor nos falasse um pouco sobre a relação deste livro com sua profissão de químico e como o senhor lê este livro hoje em dia.
Esses vinte anos passaram rápido. Acho o “Salada de frutas” ainda muito atual. Observo isso nas palestras que faço e no contato com os leitores. Lembro-me agora de uma vez em que eu estava numa rua de Viçosa e uma menininha perguntou: “Você é que é o Marcelo R. L. Oliveira?” Respondi que sim e ela se apresentou: “Você se lembra de mim? Eu sou a Uva.” Na semana anterior eu havia assistido em sua escola um teatrinho inspirado no livro. Esse retorno dos leitores me deixa muito satisfeito e seguro de que acertei ao escrever o livro.
Não acho que exista uma relação especificamente com a química neste caso. Mas existe uma relação com as minhas atividades de ensino. Ao escrever o livro preocupei-me em torná-lo divertido (e para isso muito contribuíram as ilustrações da Márcia Franco), mas, além disso, quis ensinar alguma coisa interessante sobre as frutas (mania de professor).
RHJ – Marcelo, os livros que o senhor já publicou pela RHJ são todos escritos em versos. Todos com certa dose de humor. Conte-nos um pouco sobre sua relação com poesia e nos diga o que o senhor pensa da importância da poesia na vida das pessoas e em especial das crianças.
A poesia é extremamente importante na vida das pessoas. Se não fosse, não estaria nas cantigas de ninar ou nas brincadeiras de criança. O ritmo e a rima nos atraem desde muito cedo.
Hoje existe grande diversificação nas formas de lazer. É natural que a televisão e a internet, por exemplo, ganhem um espaço cada vez maior e tomem um pouco do tempo de leitura. As aventuras, as histórias engraçadas e a força das imagens são muito atraentes. Mas na poesia também há tudo isso. Só que é preciso algum treinamento para descobrir. Para saber se gostamos ou não gostamos de algo precisamos entender. Quem não entende o mínimo das regras do futebol, por exemplo, será incapaz de apreciar as sutilezas de uma boa jogada. Algo semelhante acontece com a poesia. É preciso o hábito de ler. No caso das crianças isso é responsabilidade das escolas, mas, principalmente, dos pais. Leia de vez em quando com seu filho. Você verá como ele ficará feliz e, de quebra, mais inteligente, informado e preparado para a vida. Sou daqueles que acham que, quanto mais as pessoas gostarem de poesia, melhor ficará o mundo.
ilustrações de Márcia Franco
Entrevista com o escritor Fábio Amaro
RHJ- Fábio Amaro, você poderia se apresentar aos leitores do blog da RHJ, contando um pouco da sua trajetória profissional como jornalista e escritor?
Olá a todos leitores do blog da RHJ, muito obrigado pela oportunidade, e é um prazer poder participar deste “encontro” online e, claro, através da obra Uma História de Arrepiar. Esta, aliás, foi a minha primeira obra, eu tinha, se não me engano, 13 ou 14 anos de idade, quando foi publicada. A minha gratidão imensa à RHJ, pois dali em diante tive outros livros lançados, e ainda ingressei no ramo do jornalismo, acadêmico e profissional. E, com certeza, a publicação do primeiro livro foi o impulso para toda a sequência de meus estudos e trabalhos.
Hoje, tenho 32 anos e vivo na cidade de Nova York (desde o ano de 2001). Sou formado em Jornalismo (pela UNI-BH), e atuei como correspondente internacional do jornal Hoje em Dia nos Estados Unidos por, praticamente, 9 anos. A cobertura da tragédia do World Trade Center foi o começo e também o meu maior e mais intenso trabalho realizado até agora. Além do Hoje em Dia, escrevi também para revistas brasileiras, como a Chiques e Famosos e Revista Encontro, cobrindo notícias de Nova York para ambas. Em 2008, lancei um jornal nos Estados Unidos, chamado Green Card News, que hoje também tem uma versão publicada mensalmente no Brasil, mais especificamente no Estado de Minas Gerais, Região do Triângulo Mineiro. Sou autor de 6 livros, sendo que 3 foram lançados pela RHJ. Sou eternamente grato ao Rafael Borges, proprietário da Editora RHJ, e o considero como o meu padrinho literário. Atualmente, além do jornal Green Card News, trabalho também para um escritório de advocacia em Nova York, que atende a área de imigração.
RHJ- Há dezoito anos a RHJ publicou sua obra “Uma História de Arrepiar”, pequena ficção que trata de uma viagem no tempo e aponta para sérios problemas de agressão ao meio-ambiente. Você poderia nos falar um pouco sobre o contexto em que a obra foi escrita?
Participei de um concurso de redações entre colégios da cidade de Patos de Minas (onde nasci) e região, e fui classificado entre os melhores textos. A ideia da história partiu da minha própria imaginação, talvez com influência de filmes, de televisão e de algum outro livro que havia visto. A máquina do tempo é interessante, pois dá flexibilidade para o autor "viajar" no texto, poder ir e voltar no tempo, e assim a sequência acaba ficando cativante, intensa e até misteriosa. Coincidência que, hoje, no jornal Green Card News, temos uma coluna chamada 'Máquina do Tempo', que exibe fotos de lugares, mostrando como eles eram antes, e como são hoje. Acho que fugir do padrão comum de textos, artigos, estilos de livros e poesias sempre foi o meu estilo. E, acredito, já dava mostras desse diferencial desde os meus 14 anos, quando "lancei" a ideia da máquina do tempo.
RHJ- Como você lê, hoje, a obra “Uma História de Arrepiar” (tanto em seu aspecto temático quanto literário)? Qual seria, em seu ponto de vista, a relevância desta obra no contexto atual?
Esse mesmo livro poderia ser lançado hoje, e não há 18 anos, que teria, talvez, o mesmo impacto. A máquina do tempo, na obra, parece que estava realmente certa. Veja, por exemplo, como está o meio ambiente, hoje, no mundo, a começar pelo Brasil, na região da floresta amazônica. Leia e estude sobre o aquecimento global nos dias atuais, no Brasil e no mundo. Essa transformação do homem e do mundo está relacionada diretamente ao capitalismo. A competição capitalista e a busca pelos lucros a qualquer custo colocaram a vida do homem e todo o universo em sérios riscos. E, o mais interessante e assustador, é que não há sinais de melhoras. Falo de sinais verdadeiros e significativos. O que há, a meu ver, dos muitos que mencionam em salvar o meio ambiente, não é nada além de pura propaganda. Candidatos políticos, por exemplo, pegam carona nessa de "vamos lutar pelo verde", mas com outras intenções. Nos EUA, existe um desses personagens, que agora se tornou até folclórico. No Brasil também há candidatos assim. É preciso haver um pacto mundial, reunindo as maiores lideranças e autoridades de todas as nações, junto a organizações que lutam pela humanidade, para discutirem e olharem o futuro do meio ambiente e do universo. Não sei por onde começar. É difícil. É preciso reunir várias mentes internacionais pensantes e atuantes, e com boas intenções, para buscar soluções. Hoje, o futuro do mundo está cada vez mais próximo do que mostra o final do livro Uma história de arrepiar.
ilustrações de Ferruccio Verdolin Filho














