segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um pouco mais sobre... Adriano Messias e Mirella Spinelli

A nossa coletânea Um pouco mais sobre... chega a sua quarta entrevista e, dessa vez, quem nos contará um pouco mais sobre seus trabalhos e suas experiências serão o autor Adriano Messias e a ilustradora Mirella Spinelli do livro Joaninhas viúvas: muita água e pouca chuva .

RHJ: Adriano, você poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória como escritor?

Adriano Messias: A primeira profissão que me veio à cabeça, desde menino e atravessando a adolescência, foi a de escritor. Inicialmente, fui um grande devorador de livros, ávido por aprender a ler antes mesmo da alfabetização. Eu me lembro, aos 11, fazendo poemas engraçados e, depois, contos de terror, sobretudo de vampiros. 

Aos 12, eu queria de forma decidida ser um escritor de livros infantojuvenis. O percurso não é rápido até o primeiro livro publicado. No meu caso, estudei Letras e Jornalismo, fiz mestrado e hoje faço doutorado em Comunicação e Semiótica. Tenho ao todo mais de 25 livros editados até o momento. Mas não é uma profissão fácil, como muita gente pensa: sem estudar, nenhum trabalho frutifica. 

Um grande bailarino leva anos para entrar em um corpo de baile e fazer sucesso. Um ator, idem. Por que seria diferente com o escritor, não é? Assim, minha trajetória como escritor se resume a empenho e estudo.

RHJ: Por que você decidiu abordar a preservação ambiental na obra Joaninhas viúvas: muita água e pouca chuva ?

AM: A questão ambiental não veio como fim em si mesmo, mas como consequência em uma história em que vários invertebrados se viram em apuros por conta de uma mulher que exagerava ao lavar o quintal. Eu me imaginei no lugar de alguns insetos: o que é uma gota d’água para uma formiga? Pense agora o que é um riachinho formado pela água de uma mangueira! Deve ser um rio caudaloso. Isso facilita nos colocarmos no lugar do outro – seja animal ou planta. E se colocar no lugar do outro é uma boa postura em se tratando de questões ambientais.

RHJ: De que livros você se recorda em suas leituras de infância?

AM: Sempre me recordei de muitos livros que li na infância. No meu caso, esta recordação chega ao acúmulo de detalhes, uma vez que eu tinha fichas de tudo o que eu lia: que tipo de livro, título, autor, editora, e, ainda por cima, eu dava uma nota para o livro. Guardo tudo até hoje. Houve um ano em que eu li 120 livros! Lia de tudo, mas, em especial, livros que misturavam histórias de terror e suspense com humor. A leitura dos livros de que gostava é uma das melhores lembranças que uma criança levará por toda a sua vida.


RHJ – Mirella, você poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória como ilustradora e sobre seus métodos de trabalho?

Mirella SpinelliSempre gostei de ler e, consequentemente, sempre gostei de livros. Quando pequena, as ilustrações dos livros sempre chamavam a minha atenção, inclusive as dos livros didáticos. Também sempre gostei de desenhar. Uma de minhas maiores alegrias, na infância, era quando minha tia Célia chegava do Rio de Janeiro e trazia de presente blocos de desenho e lápis de cor! Um verdadeiro tesouro! A partir daí, foi o caminho natural cursar a faculdade de Artes Visuais, (UFMG) e me dedicar ao desenho, pintura e principalmente à ilustração.

RHJ: Como surgiu o desejo de trabalhar com a ilustração de livros para crianças e jovens?

MS: Este desejo veio como consequência natural da minha formação universitária aliada à minha paixão pelos livros. 

RHJ - A obra aborda a preservação da água e a visão de bichinhos que vivem no jardim sobre o desperdício desse recurso vital. Para você, como é tratar de um tema dessa importância em suas ilustrações?


MS: A preservação do meio ambiente é um tema de vital importância atualmente, e deveria ser mais abordada e levada mais à sério se pretendemos sobreviver neste nosso tão maltratado planeta. A conscientização dos problemas ecológicos prepara a criança para se tornar um melhor cidadão. No entanto, não podemos nos esquecer que cabe a nós , adultos, as ações. 

Deveríamos AGIR mais , de maneira positiva e de maneira mais eficaz , dando, assim, o exemplo e preparando a criança para uma outra realidade mais dura que ela certamente irá se defrontar, caso continuemos apenas no discurso.

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